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Curso ProA 2011: Avaliação Neuropsicológica Computadorizada

Serviço Integrado de Neurociências Aplicada e Psicologia – Sina-Psi

Oferece curso:

ProA – Avaliação Neuropsicológica Computadorizada:

Fundamentos teóricos e práticos da bateria de monitoramento cognitivo ProA.

Tarefas ProA

Objetivo:
Instrumentalizar profissionais das áreas da saúde e educação para utilização do sistema de monitoramento cognitivo computadorizado ProA[1].
Público alvo:
Psicólogos, Psicopedagogos, Educadores Físicos, Fisioterapeutas e áreas afins.
Programação:
 
Manhã
– O que é ProA?
– Conhecendo o sistema
-acesso
– cadastro de clientes
– instruções e aplicação
– As tarefas ProA:
– cérebro e funções cognitivas
– bases teóricas das tarefas
Tarde
– Compreendendo os indicadores ProA
– propriedades psicométricas
– indicadores do relatório
– Estudos de caso;
Data: 02 de abril de 2011[2].
Duração: 8hs.
Local: Em Florianópolis, hotel a definir. Temos disponibilidade de promover o curso na sua cidade! Maiores informações pelo email july@sina-psi.com
 
 
Inscrições e informações:
As inscrições devem ser realizadas através do email july@sina-psi.com, informando-se os dados a seguir. Um email será enviado aos interessados dentro de 48hs após o recebimento da solicitação de inscrição com os dados para pagamento. A inscrição será efetuada após o recebimento da confirmação de pagamento.
Dados
* Nome completo:
* CPF:
* Email:
Valor e condições de pagamento:
Valor do curso: R$390,00
Pagamento através de depósito bancário, boleto ou cartão de crédito.
* ao inscrever-se no curso o participante ganha 1 licença de ProA GRATUITAMENTE[3]*
Equipe Sina-Psi:
July Silveira Gomes
Formação: graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Mestre em Psicologia Cognitiva pela mesma instituição. Sócia e diretora da empresa Sina-Psi.
Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/8757072838117158
Email: july@sina-psi.com
Caroline Di Bernardi Luft
Formação: Doutoranda em Psicologia Cognitiva pela Universidade Federal de Santa Catarina. Traduziu, adaptou e validou a bateria CogState (www.cogstate.com) para o uso no Brasil. Sócia e diretora científica da empresa Sina-Psi.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8901770549858443
Email: caro@sina-psi.com
Daniel Priori
Formado em Processamento de Dados na Horácio Berlinck – Jaú – SP e graduando em Cinema na Universidade Federal de Santa Catarina. Sócio e diretor de tecnologia Sina-Psi.
Email: danpriori@sina-psi.com
Apoio:
INEC – Inovações Neurotecnológicas para Educação Cerebral, coordenado pelo prof. do Dept. de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina Dr. Emílio Takase.
www.educacaocerebral.com
Conheça ProA
www.sina-psi.com/proa


[1] ProA é um sistema que avalia o desempenho em tarefas e apresenta os dados em formato de relatório de desempenho. Não é um teste psicológico, não fornece diagnósticos e não deve ser usado para tais finalidades. Maiores informações sobre testes psicológicos podem ser obtidos através do site: http://www2.pol.org.br/satepsi/sistema/admin.cfm
[2] A data do curso pode sofrer alterações, em função do número mínimo de participantes. Todas as alterações serão comunicadas via email.
[3] Licença “profissional sênior”, com duração de 2 meses.
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As funções executivas e desempenho escolar em matemática

Ah, esse cérebro que funciona tão bem para algumas coisas e nem tanto para outras…
Ele é capaz de fazer cálculos maravilhosos instantaneamente! Por exemplo, na hora de atravessar a rua, é possível perceber a velocidade do carro que está vindo, calcular a distância entre o carro e o nosso corpo, imaginar nossa velocidade de caminhada, juntar tudo isso e, numa fração de segundos, tomarmos nossa decisão de atravessar, ou não, a rua. E esse processo é quase instantâneo. Basta olhar e já temos um palpite sobre atravessar ou não.
O cérebro está apto para fazer certos tipos de “cálculos” automaticamente, desde muito cedo. Se você colocar um conjunto de 20 biscoitos de chocolate em um lado de uma mesa, e colocar um conjunto com 10 do outro lado e perguntar para uma criança, que ainda não tenha aprendido a falar, qual ela prefere, ela será capaz de discriminar qual tem mais e fará sua escolha baseada nessa percepção.
Mas ao iniciarem a fase escolar, algumas crianças apresentam muito mais dificuldades que outras para acompanharem a turma. Essa dificuldade pode ser generalizada ou pode estar mais relacionada a algumas disciplinas. Para algumas crianças e adolescentes, com o passar dos anos, essa dificuldade pode ficar mais específica e evidente. Outras crianças, no entanto, conseguem superá-las.
Mas qual habilidade cerebral influencia no desempenho escolar?
A resposta a essa pergunta é bem complexa, e deve considerar uma série de fatores, que podem ser específicos à criança ou mais gerais, em função da faixa etária, diagnóstico e ambiente educacional.
Vou me deter aqui aos achados que a equipe Sina-Psi obteve através de uma pesquisa que está sendo realizada junto ao Colégio Salesiano, Itajaí-SC , relacionando as notas dos 5 alunos com  melhor rendimento e dos 5 com maiores dificuldade (menores notas) na disciplina de matemática, em todas as turmas a partir do 5º. ano, e o desempenho desses alunos nas tarefas cognitivas do sistema ProA.
Verificou-se que as principais variáveis do ProA juntas, conseguem predizer aproximadamente 90% dos casos com dificuldade e facilidade. Ou seja, os alunos com as melhores notas, tiveram bom-excelente desempenho nas tarefas ProA e os alunos com mais dificuldades, tiveram o desempenho prejudicado principalmente nas duas tarefas de funções executivas (atenção seletiva e memória de trabalho).
Isso mesmo!!! Das 4 tarefas que compõem o sistema ProA – atenção seletiva, memória de trabalho, habilidade visuo-espacial e habilidade aritmética – as que mais apresentaram correlação com o desempenho em matemática foram atenção seletiva e memória de trabalho, seguidas da habilidade visuo-espacial. O desempenho na tarefa de aritmética foi o que menos teve correlação com as notas escolares em matemática.
Veja os indicadores gerais de desempenho de um aluno, como exemplo:
a) Aluna da 6ª. série, 12 anos. Ela apresenta baixo desempenho em matemática.
Nas tarefas ProA, seu desempenho em aritmética está dentro do esperado para a faixa etária ( seu escore foi 0,37; a referência de esperado é -1 ou +1 desvio padrão em relação à média). Já nas tarefas de atenção e memória de trabalho, seu desempenho está abaixo da média para a sua faixa etária (-1,90 e -1,72 desvios padrões, respectivamente).

Desempenho geral de aluna 12 anos nas tarefas ProA

Por que as funções executivas influenciaram mais o desempenho em matemática que a habilidade aritmética?
As funções executivas (FE) são funções desempenhadas pelos lóbulos frontal e pré-frontal do nosso cérebro e que facilitam nossa adaptação diária. Possibilitam o planejamento e organização do comportamento, inibindo respostas ou atrasando recompensas. As FEs são consideradas processos cognitivos superiores de controle e regulação, responsáveis pela interação contínua entre mecanismos comportamentais automatizados (que implicam “baixo” processamento cognitivo) e comportamentos orientados para meta (considerados de “alto” processamento cognitivo). A atenção seletiva e a memória de trabalho são FE básicas, e são consideradas a base para o desenvolvimento das FE superiores, como tomada de decisão e pensamento estratégico.
A atenção seletiva é a capacidade de selecionar um estímulo ao qual focar atenção em detrimento de outro(s), e a tarefa de cores e palavras de Stroop é considerado um experimento clássico para verificar o desempenho da atenção seletiva. Veja abaixo o experimento original de Stroop e a tarefa de atenção seletiva ProA.
Tarefa clássica Stroop

Tarefa de atenção seletiva ProA

A memória de trabalho é a capacidade de armazenar e manipular informações em função de alguma meta ou objetivo e envolve processos como reter a informação por um breve período de tempo e resgatar essas informações para serem utilizadas. Veja abaixo a tarefa de memória de trabalho ProA.
Tarefa de memória trabalho ProA

O lobo frontal, que é a região mais requisitada em tarefas de funções executivas e seu processo de amadurecimento ocorre até o final da adolescência e início da fase adulta. Sendo assim, é normal e esperado que, quanto mais jovem for a criança, maior a dificuldade em ter “comportamentos executivos”.
Voltando ao exemplo da criança e dos biscoitos de chocolate, comentado acima: Se você chegar para um adolescente e perguntar se ele prefere os 20 biscoitos imediatamente ou se ele prefere esperar para comer apenas 1 biscoito após a janta e assim ganhar uma quantia em dinheiro (reforço), ele provavelmente escolherá a segunda opção, enquanto que a criança muito nova permanecerá com a primeira opção.
Para a criança é muito mais difícil ter esse controle inibitório. Na situação descrita, entendemos que o adolescente já adquiriu a noção do valor do dinheiro e que a criança ainda não e, por isso, para ele é mais fácil aguardar para receber a recompensa. Mas mesmo que você proponha para um criança 1 biscoito agora ou 5 após a janta, dependendo da idade ela vai querer o biscoito agora {e muito provável que queira os outros 5 também (risos)}.
A relação entre as FE e a aprendizagem matemática tem sido apontada por diferentes autores (veja a lista de referência abaixo). Para o aluno ter um bom desempenho escolar em matemática, seu raciocínio precisa ir além da noção de quantidade (onde te mais biscoitos) e também além da compreensão aritmética (2+2=4).
Ele precisa acompanhar o raciocínio do professor, selecionar as partes da explicação que são mais importantes, relacionar aquilo que o professor está falando com informações que já existem na sua memória, construir abstrações sobre os números e suas relações, sem que aparentemente essas informações tenham aplicabilidade prática na sua vida…. ufa
Você pode estar pensando que todos nós passamos por tudo isso em diversas situações de aprendizagem… e para o jovem em idade escolar esses processos são necessários em outras disciplinas também.
Eu concordo. E o que a pesquisa realizada pela equipe Sina-Psi destaca é que as FE executivas são fundamentais nos processos de aprendizagem escolar, inclusive na matemática, e que o baixo desempenho em tarefas executivas, como as propostas pela ProA, tem papel um papel muito forte no desempenho escolar do aluno. Mesmo que ele compreenda a aritmética básica, mesmo que ele saiba que “4+7-2=9”, para realizar esses cálculos mentalmente, para realizar operações matemáticas mais complexas, para resolver problemas e desenvolver o raciocínio matemático, ele requisita as FE.
Assim, é interessante que o profissional que lide com educação conheça os processos cerebrais envolvidos na aprendizagem de sua disciplina, a fim de desenvolver diferentes técnicas para ensinar da forma como o aluno aprende melhor.
ProA não fornece diagnóstico e não é uma avaliação psicológica. Ele é um sistema que reúne tarefas computadorizadas que ajuda os profissionais a compreenderem os processos cognitivos dos alunos a fim de permitir uma intervenção educativa mais eficaz para as suas características. Por exemplo: se um aluno tem dificuldade na memória de trabalho, ele possivelmente poderá apresentar problemas na matemática por não conseguir recordar os passos na hora em que está fazendo o cálculo (o aluno perde tempo “voltando” no raciocínio).  O professor que sabe isso, pode ajudar o aluno utilizando técnicas que facilitem recordar na hora em que é executado. Se o aluno tem boa habilidade visuo-espacial, pode utilizar enfatizar dimensões, organizar as informações em fluxogramas para facilitar para o aluno.  Também é interessante exercícios que reforcem essa função cognitiva.
Referências:
Alvarez, J. A., & Emory, E. (2006). Executive function and the frontal lobes: a meta-analytic review. Neuropsychol Rev, 16(1), 17-42.
Ardila, A. (2008). On the evolutionary origins of executive functions. Brain Cogn, 68(1), 92-99.
Baddeley, A. (1992). Working memory. Science, 255(5044), 556-559.
Baddeley, A. (1998). Recent developments in working memory. Curr Opin Neurobiol, 8(2), 234-238.
Baddeley, A. (2003). Working memory: looking back and looking forward. Nat Rev Neurosci, 4(10), 829-839.
Baddeley, A. (2010). Working memory. Curr Biol, 20(4), R136-140.
Butterworth, B. (2005). The development of arithmetical abilities. J Child Psychol Psychiatry, 46(1), 3-18.
Chan, R. C., Shum, D., Toulopoulou, T., & Chen, E. Y. (2008). Assessment of executive functions: review of instruments and identification of critical issues. Arch Clin Neuropsychol, 23(2), 201-216.
Dehaene, S., Molko, N., Cohen, L., & Wilson, A. J. (2004). Arithmetic and the brain. Curr Opin Neurobiol, 14(2), 218-224.
Dehaene, S., Spelke, E., Pinel, P., Stanescu, R., & Tsivkin, S. (1999). Sources of mathematical thinking: behavioral and brain-imaging evidence. Science, 284(5416), 970-974.
Falleti, M. G., Maruff, P., Collie, A., & Darby, D. G. (2006). Practice effects associated with the repeated assessment of cognitive function using the CogState battery at 10-minute, one week and one month test-retest intervals. J Clin Exp Neuropsychol, 28(7), 1095-1112.
Garavan, H., Ross, T. J., Li, S. J., & Stein, E. A. (2000). A parametric manipulation of central executive functioning. Cereb Cortex, 10(6), 585-592.
Gilbert, S. J., & Burgess, P. W. (2008). Executive function. Curr Biol, 18(3), R110-114.
Jonides, J., Lacey, S. C., & Nee, D. E. (2005). Processes of Working Memory in Mind and Brain. Current Directions in Psychological Science, 14(1).
Macleod, C. M. (1992). The Stroop Task: The “Gold Standard” of Attentional Measures. Journal of Experimental Psychology: General, 121(1), 12-14.
MacLeod, C. M. (2005). The Stroop Task in Cognitive Research. Cognitive methods and their application to clinical research. In A. Wenzel & D. Rubin (Eds.), Cognitive methods and their application to clinical research. (pp. 17-40). Washington, DC, US: American Psychological Association.
MacLeod, C. M., Dodd, M. D., Sheard, E. D., Wilson, D. E., & Bibi, U. (2003). In Opposition to Inhibition. In B. H. Ross (Ed.), The psychology of learning and motivation: Advances in research and theory. (Vol. 43, pp. 163-214). New York, NY, US.: Elsevier Science.
Tanji, J., & Hoshi, E. (2008). Role of the lateral prefrontal cortex in executive behavioral control. Physiol Rev, 88(1), 37-57.

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Educação Cerebral

Hoje pela manhã fui entrevistada no Bom Dia Santa Catarina, jornal local do estado, sobre Educação Cerebral. Veja a entrevista no site:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=WaA9s-lQf9Q]

Confesso que o tempo foi curto para expor as idéias sobre Educação Cerebral. Hoje, não existe um consenso sobre o que é educação cerebral, qual a diferença entre educação cerebral e “neuróbica” (ginástica cerebral).

Em parceria com o INEC (Inovações Neurotecnológicas para Educação Cerebral) temos desenvolvido propostas e metodologias de intervenção que foquem a integração entre os aspectos fisiológicos, as características cognitivas e os estados psico-emocionais das pessoas.

O INEC tem realizado trabalho com atletas pertencentes à CBT (Confederação Brasileira de Tênis), além das pesquisas de graduação e pós-graduação. No próximo semestre está previsto um espaço para Educação Cerebral com base no biofeedback VFC (veja o post anterior sobre o tema para entender melhor).

A Sina-Psi, empresa parceira do INEC e da qual sou sócia, tem desenvolvido ferramentas para monitoramento e treinamento cognitivo. Atualmente, já está disponível o software de monitoramento cognitivo ProA, para uso profissional.

Através desse sistema, é possível avaliar o desempenho cognitivo de maneira segura, divertida e cientificamente validade, ajudando os profissionais a compreenderem melhor quais habilidades cognitivas são mais ou menos desenvolvidas. Assim, é possível preparar estratégias de educação cerebral mais adequadas para cada pessoa.

ProA também está sendo utilizado para monitoramento cognitivo de atletas do Juventude Esporte Clube , para identificação de treinamento excessivo e fadiga.

Já no Colégio Salesiano (Itajaí) ProA está sendo usado para monitorar o desempenho cognitivo de alunos a partir da 4ª. série até o 2º. Ano do ensino médio. Os resultados serão correlacionados com o desempenho escolar e, assim, os professores poderão desenvolver estratégias mais adequadas com o perfil de cada aluno.

Na clínica, tenho procurado aplicar esses conhecimentos, usando os sistemas e metodologias inovadoras desenvolvidos pela Sina-Psi e INEC.

A Educação Cerebral é uma proposta diferenciada de olhar os processos de aprendizagem e organismo humano e a forma de educar. Cada pessoa possui um organismo completo: cérebro, corpo e mente. Olhando de uma forma integrada, percebemos que tanto o corpo quanto a mente reagem a partir dos estímulos enviados pelo nosso cérebro e esse reage a partir dos estímulos do meio externo (ambiente) e interno (cognição).

Ao fazer “caça palavras” todos os dias, é bem provável que a pessoa ficar fera em caça palavras, talvez até amplie o seu vocabulário, se procurar descobrir as palavras que não sabe e explorar novos significados.

Mas educar o cérebro envolve muito mais que isso. Além de fazer exercícios cognitivos, de procurar aprender coisas novas, de realizar atividades que mantenham o cérebro ativo, é importante se ter hábitos saudáveis que contribuam para o bom funcionamento do organismo como um todo.

Segue então algumas dicas gerais para bom funcionamento cerebral:

  • Aumente o equilíbrio entre os sistemas autonômicos (veja mais no post “Equilíbrio Corpo e Mente” e “Variabilidade da Frequencia Cardíaca e Biofeedback);
  • Combata o sedentarismo: ninguém precisa ser atleta, mas é fundamental “se mexer”. Caminhe sempre que possível, use escadas, coloque o corpo para funcionar;
  • Tenha um sono restaurador: o sono é importante para a consolidação de memórias e para o bom funcionamento cerebral ao longo do dia. Os processos cognitivos são seriamente afetados pela privação do sono.
  • A alimentação também é importante: peixes e frutos do mar, especialmente o salmão, carnes, lacticínios, feijão, frutas – abacate (vitamina E), laranja (vitamina C) – e folhas verdes são excelentes nutrientes para o cérebro.
  • Auto-conhecimento: observe seu ritmo de falar, de respirar, seus batimentos cardíacos em situações tranqüilas e em situações de estresse. Quanto mais você perceber como você funciona, melhor será sua relação com seu organismo;

Abaixo tem 2 links de laboratórios sérios que também tem desenvolvido pesquisas na área e apresentam jogos cognitivos para entretenimento:

http://cognitivelabs.com/

http://www.fitbrains.com/

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Como posso utilizar ProA na minha profissão?

 Aritmética
Tarefa de Atenção Seletiva da bateriaProA
Atenção Seletiva
Memória Trabalho
Visuo-Espacial

ProA é um sistema de monitoramento cognitivo com foco na identificação do desempenho cognitivo nas seguintes

habilidades: atenção seletiva, memória de trabalho, habilidade visuo-espacial e habilidade aritmética.

Os resultados obtidos através da aplicação do software ProA podem ser utilizados de diferentes forma. Abaixo, exemplificamos um estudo de caso de como os indicadores do relatório ProA podem ser utilziados na identificação e monitoramento cognitivo na área clínica da psicologia, neuropsicologia ou psicopedagogia.

ESTUDO DE CASO:
O caso apresentado é sobre um cliente de 10 anos de idade, com dificuldades no aprendizado da matemática. Associada a essa dificuldade, foi relatado que a criança tem dificuldade em prestar atenção, nem sempre conseguindo completar as tarefas por não entendê-las. Não apresenta problemas de relacionamento com colegas e familiares. Observe no gráfico dos indicadores gerais indícios de que a memória de trabalho está prejudicada, uma vez que ele está 2.2 desvios-padrão abaixo da média de referência da sua idade. A habilidade aritmética também está abaixo da média, o que justifica sua dificuldade, vinculada às operações aritméticas básicas. A sua atenção seletiva também está um pouco abaixo da média, mas ainda assim está dentro do esperado. A habilidade visuo-espacial está acima da média, o que reforça ainda mais a hipóteses de que a dificuldade no raciocínio aritmético pode estar ocorrendo em função da baixa eficiência na memória de trabalho.
Gráfico 12. Gráfico de desempenho geral tarefas ProA – estudo de caso.

Observando-se os indicadores de tendência cognitiva, verifica-se que, apesar de o desempenho no teste de atenção seletiva estar abaixo da média nos indicadores gerais, o cliente apresenta velocidade e estabilidade dentro do considerado normal, mas a acurácia de resposta prejudicada. Esses resultados sugerem que esse cliente apresentou dificuldade em responder corretamente nas tarefas de atenção seletiva e memória de trabalho, o que pode ser um indicativo de dificuldade nessas habilidades em si, característico de transtorno do déficit de atenção, com ou sem hiperatividade (TDA ou TDAH).
Tabela 3: Tendências Cognitivas Gerais: Velocidade, Acurácia e Estabilidade

Considerando-se que os indicadores de tendência são obtidos a partir dos dados das duas primeiras tarefas, é interessante observar mais atentamente o desempenho dos indicadores nas tarefas específicas. A partir do desempenho geral, temos a variável relacionada à atenção seletiva está abaixo da média, e acurácia muito abaixo do esperado. Observe o gráfico, com base no que você aprendeu na explicação do manual, e tente interpretar os resultados na atenção seletiva.

Gráfico 13.
Desempenho cognitivo nos níveis da tarefa Atenção Seletiva – estudo de caso

Como você pode observar, o desempenho no nível 1 foi dentro do esperado, o que indica que a velocidade de resposta e nomeação da cor estão normais (lembre-se, o nível 1 serve como uma linha de base da velocidade de resposta do sujeito à uma tarefa simples, que consiste em visualizar uma cor e nomeá-la clicando no botão com o respectivo nome). No nível 2 o sujeito deve inibir leitura da palavra e realizar a mesma tarefa de nomeação da cor, e é justamente nesse nível que se observa uma queda no desempenho desse cliente. Observe que o efeito stroop está 1.03 desvios-padrão abaixo da média, o que indica uma dificuldade na habilidade de inibir um estímulo e selecionar outro, relevante à tarefa.
Ressalta-se também que as respostas foram bastante estáveis (sua velocidade de reposta foi similar em todas as tentativas), o que indica uma dificuldade específica ao filtro do estímulo e não necessariamente na consistência entre as tentativas. No nível 3, com pressão, o cliente continuou com o efeito stroop abaixo da média, mas dentro do esperado, 0.49 desvios-padrão abaixo da média. Os demais indicadores melhoraram, o que indica um efeito positivo da pressão no seu desempenho. Ressalta-se que pessoas com níveis de ativação muito baixos têm maior probabilidade de melhorar o desempenho quando são pressionadas, considerando a teoria sobre a relação entre ativação e desempenho do U invertido (Arent & Landers, 2003).
O gráfico e a tabela de erros, a seguir, mostram seu desempenho na memória de trabalho. Tente agora analisar os resultados do próximo gráfico a partir da explicação e do exemplo fornecido anteriormente. Você consegue interpretar esses resultados?
Gráfico 14. Desempenho cognitivo nos níveis da tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso.

Tabela 4: Erros na tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso.

No nível 1, o cliente apresentou desempenho dentro do esperado, em todos os indicadores. No entanto, os seus resultados no nível 2 indicam que ele está -2.20 desvios-padrão abaixo da média para a sua idade (gráfico) e que o seu número de erros foi bastante elevado para a sua idade (9 erros, referência para “prejudicado” é mais de dois erros). No nível 3 o seu desempenho melhorou um pouco, mas o número de erros (olhar na tabela), continua elevado para a faixa etária.
Se você comparar os resultados da tarefa de atenção seletiva com os resultados da memória de trabalho, perceberá que ele teve um desempenho pior na memória de trabalho em relação à atenção seletiva. Hoje em dia, sabe-se que um dos principais fatores para aprender matemática é a memória de trabalho (Berg, 2008; Hitch, 1978; Imbo, Duverne, & Lemaire, 2007). Um estudo (McLean & Hitch, 1999) com crianças com dificuldade na aprendizagem da matemática demonstrou que a memória de trabalho visuoespacial (que é mensurada no ProA) é a principal variável que diferencia as crianças que tem facilidade e dificuldade na realização de operações aritméticas, de forma que o grupo com dificuldade em matemática foi o que teve o pior desempenho em memória de trabalho visuo-espacial. O interessante é que esses grupos não apresentaram diferenças em relação a outros tipos de memória de trabalho.
A seguir temos o gráfico com os resultados desse cliente para a tarefa de habilidade visuo-espacial. Analise-o, procurando interpretar seu desempenho nos três níveis dessa tarefa.
Gráfico 15. Desempenho cognitivo nos níveis da tarefa Visuo-Espacial  – estudo de caso.

Observa-se que o desempenho do cliente nos níveis 1, 2 e 3 está acima da média, especialmente nas variáveis desempenho geral e velocidade. A acurácia melhora no nível três, o que reforça os achados anteriores de que a pressão exerce uma influência positiva na sua acurácia. No entanto, para melhorar a acurácia no nível três o cliente precisou responder mais devagar, dada a queda na sua velocidade de resposta. Alguns estudos (Grabner, et al., 2009; Ward, Sagiv, & Butterworth, 2009) demonstram que a habilidade visuo-espacial é essencial para realizar operações aritméticas com eficiência. No entanto, a habilidade visuo-espacial não está prejudicada nesse cliente e, portanto, não é algo que esteja afetando sua aprendizagem em matemática. Essa análise ajuda a identificar, também, que uma das formas eficazes de processamento de informações, realizada por esse cliente, é visuo-espacial, e isso pode contribuir na seleção de estratégias de ensino que o ajudem a utilizar esse recurso para realizar cálculos.
Os resultados desse cliente para a tarefa de habilidade aritmética são apresentados a seguir.
Gráfico 16. Desempenho cognitivo nos níveis da tarefa Aritmética – estudo de caso

Como você deve ter observado no gráfico, seu desempenho foi ruim na tarefa de aritmética, pois os valores nos três indicadores estão mais de um desvio-padrão abaixo da média. No nível 2, quando a dificuldade da tarefa aumenta, o desempenho cai bastante, o que indica a dificuldade específica em organizar mentalmente os cálculos, o que é evidenciado pelo indicador com o maior valor negativo: a eficiência.
Esse resultado indica que o cliente está realizando muitas operações para cálculos que exigiriam poucos cliques, ou seja, está com dificuldade em realizar os cálculos mentalmente, antes de executá-lo na tarefa. Uma hipótese é que a principal estratégia que ele esteja usando seja a tentativa e erro, e não a elaboração mental do raciocínio aritmético. Adicionalmente, pode-se notar que o cliente melhorou no nível três, quando foi pressionado pela bomba e marcador de tempo. Da mesma forma que nas outras tarefas, a pressão exerceu um efeito positivo no seu desempenho. Esses resultados na aritmética confirmam a dificuldade do aluno em aprender matemática, que parece também estar associada à sua baixa habilidade de fazer operações aritméticas mentalmente, de forma eficaz.
Através do gráfico de desempenho por tentativas da tarefa de atenção seletiva, é possível observar que o desempenho foi mais estável no nível 1 (resposta de identificação simples). No nível 2 (em azul), o sujeito apresentou grandes oscilações de velocidade de resposta e cometeu dois erros, um na oitava tentativa e outro na décima quinta. No nível 3, sob pressão, ele reduziu os tempos de resposta e manteve maior estabilidade, sem errar. Esses dados reforçam que esse cliente reage bem sob pressão.
Gráfico 17. Desempenho por tentativa nos níveis da tarefa Atenção Seletiva – estudo de caso

Conforme esperado devido à observação dos gráficos anteriores, o gráfico de desempenho por tentativas da tarefa de memória de trabalho demonstra que o cliente errou bastante na tarefa de memória de trabalho. Note que a observação e a análise dos níveis, nesse gráfico, ficam dificultadas devido à sobreposição das linhas e ao excesso de marcadores de erro. Para melhorar a visualização, o ideal é selecionar o nível que deseja visualizar, um por vez. Como esse manual apresenta as figuras estáticas, foram selecionadas as imagens de cada nível separadamente.
Gráfico 18. Desempenho por tentativa nos níveis da tarefa Memória de Trabalho

Observe que no gráfico do nível 1 do jogo de memória houve só um erro, cometido no início da bateria, na segunda tentativa.
Gráfico 19. Desempenho por tentativa no nível 1 da tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso

No nível dois, onde o número de itens aumenta para quatro, se observa um maior número de erros, que não estão localizados nem no fim nem no inicio da bateria, sugerindo um problema na memória de trabalho que não está relacionado com aprendizagem da tarefa, nem com fadiga de execução da bateria.
Gráfico 20. Desempenho por tentativa no nível 2 da tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso

No nível 3, com a pressão, observa-se uma melhora do desempenho do cliente, que comete menos erros, concentrados no início da bateria (com exceção de um na tentativa 14). Isso reforça os outros indicadores que a resposta do cliente melhora sob pressão, que parece contribuir positivamente para a sua performance.
Gráfico 21. Desempenho por tentativa no nível 3 da tarefa Memória de Trabalho – estudo de caso

Ao analisar-se os gráficos por tentativa na habilidade visuo-espacial, pode-se notar que ele teve praticamente o mesmo número de erros em cada nível, 4 nos dois primeiros e 3 no último. Observa-se também que os tempos de resposta oscilaram mais no nível 1, estabilizaram até a tentativa 7 do nível dois e subiram no nível 3, que foi o nível com menos erros. Como observamos nos gráficos anteriores desse cliente, a habilidade visuo-espacial pode ser considerada o ponto forte das funções cognitivas mensuradas e, dessa forma, menos energia será gasta na interpretação dessa parte do relatório.
Gráfico 22. Desempenho por tentativa, separados por níveis, da tarefa Visuo-Espacial

A seguir, pode-se analisar o desempenho apenas no nível 3, sob pressão. Observa-se que o desempenho nas tarefas de atenção e memória de trabalho (executivas) melhorou bastante sobre pressão, enquanto as outras duas permaneceram semelhantes. Uma possibilidade que explica esse resultado seria que, em função de esse cliente ter o nível de ativação cortical (arousal) muito baixo, sob pressão ele consegue ativar-se e desempenhar melhor na tarefa, o que costuma ser verificado em crianças com TDA (Brennan & Arnsten, 2008).
A análise de todos os resultados desse cliente indica que a sua dificuldade na aprendizagem da matemática está vinculada principalmente à memória de trabalho. A atenção seletiva também mostrou um funcionamento abaixo do esperado, o que também indica que há necessidade de ficar atento a essa função. A habilidade visuo-espacial é o forte desse cliente, e por isso, algumas estratégias de ensino podem utilizar-se dessa habilidade para facilitar a aprendizagem da matemática nesse cliente.
Referências
Arent, S. M., & Landers, D. M. (2003). Arousal, anxiety, and performance: a reexamination of the Inverted-U hypothesis. Res Q Exerc Sport, 74(4), 436-444.
Berg, D. H. (2008). Working memory and arithmetic calculation in children: the contributory roles of processing speed, short-term memory, and reading. J Exp Child Psychol, 99(4), 288-308.
Brennan, A. R., & Arnsten, A. F. (2008). Neuronal mechanisms underlying attention deficit hyperactivity disorder: the influence of arousal on prefrontal cortical function. Ann N Y Acad Sci, 1129, 236-245.
Chen, M. C., & Lin, H. J. (2009). Self-efficacy, foreign language anxiety as predictors of academic performance among professional program students in a general English proficiency writing test. Percept Mot Skills, 109(2), 420-430.
Grabner, R. H., Ischebeck, A., Reishofer, G., Koschutnig, K., Delazer, M., Ebner, F., et al. (2009). Fact learning in complex arithmetic and figural-spatial tasks: the role of the angular gyrus and its relation to mathematical competence. Hum Brain Mapp, 30(9), 2936-2952.
Hitch, G. J. (1978). The role of short-term working memory in mental arithmetic. Cognitive Psychology, 10(3), 302-323.
Imbo, I., Duverne, S., & Lemaire, P. (2007). Working memory, strategy execution, and strategy selection in mental arithmetic. Q J Exp Psychol (Colchester), 60(9), 1246-1264.
McLean, J. F., & Hitch, G. J. (1999). Working memory impairments in children with specific arithmetic learning difficulties. J Exp Child Psychol, 74(3), 240-260.
Ward, J., Sagiv, N., & Butterworth, B. (2009). The impact of visuo-spatial number forms on simple arithmetic. Cortex, 45(10), 1261-1265.

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Variabilidade da Frequencia Cardíaca e Biofeedback

SENTIMENTO é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado… (autor desconhecido).

O coração tem uma linguagem própria. Apesar de a neurociência já ter demonstrado que o cérebro é o responsável pelo processamento das informações afetivas e dos sentimentos, é fato que o ritmo do nosso coração reflete nosso estado afetivo. Não é sem razão o comentário popular de que aqueles que sofrem por amor estão com o coração apertado, não é?
São inúmeras as investigações científicas acerca do funcionamento cardíaco e sua relação com estados de humor e estados psicológicos (veja a lista de referências no final desse post). A análise dos intervalos entre os batimentos cardíacos, conhecida como variabilidade da freqüência cardíaca, permite extrair diferentes informações sobre o balanço autonômico, ou seja, o equilíbrio entre nossos sistemas de ativação (sistema nervoso simpático, conhecido como sistema de luta ou fuga) e de repouso (sistema parassimpático, conhecido como sistema de repouso e digestão). No dia a dia, em situações de repouso, há predomínio da ação parassimpática sobre o coração. Sempre que necessário, a ativação simpática desencadeia respostas fisiológicas de reação, que provocam aceleração do batimento cardíaco.
A literatura aponta que a VFC é um bom indicador do funcionamento autonômico e um importante preditor do risco de morte para pessoas que sofrem de doenças cardíacas e coronárias (Task Force 1996; Stein and Kleiger 1999; Sved 1999). Além disso, exisite certa relação entre algumas dessas variáveis e transtornos psiquiátricos (Cohen, Matar et al. 1999; Cohen, Benjamin et al. 2000; Kemp, Malhotra et al. 2003; Henry, Minassian et al. 2009; Kemp, Quintana et al. 2010). Veja abaixo o que os artigos científicos tem mostrado:
software variabilidade frequencia cardiaca
– Cohen e colaboradores (1999), em sua revisão, apontam que pessoas com esquizofrenia sob efeito de medicação, principalmente a clozapina, apresentam elevada freqüência cardíaca e baixa variabilidade da freqüência cardíaca. Acredita-se que, nesses pacientes, a diminuição da VFC esteja vinculada a uma resposta positiva às propriedades colinérgicas desse fármaco;
– Sowden e Hufman (2009) indica que, apesar de a diminuição da VFC ser considerada um fator de risco para doenças cardiovasculares, e em paciente esquizofrênicos estar associada à síndrome metabólica (ganho de peso, diabetes) – o que aumenta os fatores de risco para doenças do coração como infarto do miocárdio – as taxas de mortalidade em pacientes sem tratamento é maior do que para aqueles tratados com essa droga;
– Na pesquisa de Henry e colaboradores (2009) os pacientes internados com esquizofrenia e depressão bipolar apresentam disfunção no balanço entre os sistemas simpático e parassimpático, com indicadores de baixa VFC e reduzida atividade parassimpática (Henry, Minassian et al. 2009);
– A depressão tem sido associada à diminuição da VFC (Kemp, Quintana et al. 2010). Sowden (2009) acrescenta que os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina são os mais indicados para pacientes depressivos com problemas cardiovasculares. Nesse caso, verificam-se indicadores de melhoras no prognóstico de infarto do miocárdio e outros eventos cardíacos.
– De um modo geral, quanto mais severos os sintomas, menor a VFC e, conseqüentemente, maiores os riscos de doenças ou episódios cardiovasculares agudos (Henry, Minassian et al. 2009; Kemp, Quintana et al. 2010).
– Em relação aos transtornos de ansiedade, a baixa VFC tem sido relacionada à hiper-ativação simpática. Esse padrão de hiper-ativação também é encontrado em pessoas com distúrbio de pânico e transtorno de estresse pós-traumático, em repouso.
Como biofeedback cardiovascular pode ajudar a melhorar os sintomas e o meu estado psicológico?
As técnicas de biofeedback são técnicas de treinamento. No caso do biofeedback cardiovascular ou VFC, sensores captam o batimento cardíaco e extraem certas variáveis (através de análises estatísticas). Através de um computador, esses sinais são mostrados de alguma forma para o usuário: sob a forma de gráficos ou associado à mídias (nesse caso a mídia funciona como um estímulo condicionado).
O processo de auto-regulação evolui de diferentes formas para cada pessoa. De um modo geral, inicialmente a pessoa trabalha para perceber suas sensações, e observa as alterações nos gráficos em função do seu estado de ativação ou relaxamento. Essa associação vai ser fortalecendo, nem sempre de modo consciente, e o usuário aprende a modular essas variáveis. O principal objetivo é aumentar a VFC. Aumentando a VFC, melhora-se o balanço autonômico, refletindo em melhoras na qualidade de vida.

Biofeedback é um método indolor, não medicamentoso, indicado para:

– distúrbios do sono;

– distúrbios de ansiedade;

– síndrome do pânico;

– depressão;

– fobias;

– asma;

– transtornos de atenção;

– problemas cardiovasculares;

– dor crônica;

– fibromialgia;

– distúrbios que afetam sistema autonômico de modo geral;

Referências:
Cohen, H., J. Benjamin, et al. (2000). “Autonomic dysregulation in panic disorder and in post-traumatic stress disorder: application of power spectrum analysis of heart rate variability at rest and in response to recollection of trauma or panic attacks.” Psychiatry Res 96(1): 1-13.
Cohen, H., M. A. Matar, et al. (1999). “Power spectral analysis of heart rate variability in psychiatry.” Psychother Psychosom 68(2): 59-66.
Henry, B. L., A. Minassian, et al. (2009). “Heart rate variability in bipolar mania and schizophrenia.” J Psychiatr Res 44(3): 168-76.
Kemp, A. H., D. S. Quintana, et al. (2010). “Impact of depression and antidepressant treatment on heart rate variability: a review and meta-analysis.” Biol Psychiatry 67(11): 1067-74.
Kemp, D. E., S. Malhotra, et al. (2003). “Heart disease and depression: don’t ignore the relationship.” Cleve Clin J Med 70(9): 745-6, 749-50, 752-4 passim.
Stein, P. K. and R. E. Kleiger (1999). “Insights from the study of heart rate variability.” Annu Rev Med 50: 249-61.
Sved, A. F. (1999). Cardiovascular System. Fundamental Neuroscience. M. J. Zigmond. San Diego, Academic Press: 1051-1061.
Task Force (1996). “Heart rate variability. Standards of measurement, physiological interpretation, and clinical use. Task Force of the European Society of Cardiology and the North American Society of Pacing and Electrophysiology.” Eur Heart J 17(3): 354-81.

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Terapia com Biofeedback: uma técnica de auto-regulação para saúde e bem estar

O treinamento em biofeedback é um poderoso processo terapêutico para gerenciamento de sintomas de desordens orgânicas ou relacionadas ao estresse, que desregulam nosso equilíbrio.
O termo Biofeedback é usado em referência aos processos de auto-regulação através da interface homem máquina, em que respostas fisiológicas são monitoradas e o usuário é capaz de aprender a modulá-las e, desse modo, ocorre a auto-regulação.
De modo geral, um conjunto de sensores capazes de monitorar certas respostas fisiológicas é ligado a um computador, que processa esses dados. A auto-regulação ocorre quando, ao visualizar uma interface na tela do computador, a pessoa aprende a modificá-la, ou seja, aprende a modificar também as suas respostas corporais.
Existem vários tipos de biofeedback, vou exemplificar alguns a seguir:

  • GSR biofeedback: o sensor pode ser posicionado na ponta dos dedos das mãos ou dos pés e capta a resposta galvânica da pele ou a resposta de condutividade da pele. Essa resposta corporal é muito sensível a alterações emocionais. Dependendo do nosso estado emocional, transpiramos mais nas mãos e extremidades do corpo, o que altera essa resposta de condutividade. O treinamento em GSR biofeedback é muito recomendado para transtornos de ansiedade e de estresse.
  • Biofeedback termal: Nessa técnica, o sensor também pode ser acoplado nas pontas dos dedos, e capta variações na temperatura das extremidades, através do fluxo sanguíneo de pequenos vasos capilares da pele. Quando ativamos nossas respostas de defesa, como ocorre em situações de estresse, os vasos se contraem e a temperatura tende a cair. Quando estamos mais relaxados, realizando atividades prazerosas e tranqüilas, os vasos dilatam e a temperatura nas extremidades tende a aumentar. Bastante recomendado para pessoas que precisam aprender a relaxar e também no tratamento de distúrbios vasculares específicos.
  • Neurofeedback: Essa modalidade de biofedback ocorre através do monitoramento das respostas cerebrais. Nosso cérebro apresenta padrões de ondas que podem ser captados através da caixa craniana, por sensores posicionados no couro cabeludo. Apresenta alta taxa de sucesso no tratamento e gerenciamento de sintomas de diversos transtornos, incluindo depressão, transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade (DDA, TDA, TDAH), transtornos de ansiedade (como síndrome do pânico e transtorno de estresse pós traumático), dentre outros. Esse tema é tão interessante que em breve dedicarei um post apenas para ele.
  • Biofeedback cardiovascular ou VFC biofeedback: Essa técnica de biofeedback trabalha com respostas captadas a partir do batimento cardíaco. Os sinais do coração podem ser captados através de sensores posicionados nas pontas dos dedos, que monitoram também os vasos sanguíneos capilares, ou através de sensores acoplados ao tórax, captando os batimentos cardíacos. Através do monitoramento da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) é possível obter indicadores relacionados ao equilíbrio de nossos sistemas de defesa e relaxamento. Desse modo, é possível inferir sobre nossa capacidade de resiliência, adaptação à atividades físicas e cognitivas, assim como nossa capacidade de relaxamento e bem estar. A terapia envolvendo VFC biofeedback é uma forma fácil e não invasiva de gerenciar transtornos e sintomas relacionados a diferentes estados psicológicos como estresse, ansiedade e depressão. No próximo post, apresentarei pesquisas que indicam alterações no padrão de VFC em certas comorbidades, e como o VFC biofeedback pode ser utilizado nessas situações.

O INEC (Inovações Neurotecnológicas para Educação Cerebral) http://www.educacaocerebral.com/lec/) está realizando um trabalho inovador no monitoramento de respostas cardiovasculares, desenvolvendo o software de monitoramento da variabilidade da freqüência cardíaca. Sou pesquisadora convidada do INEC, e juntos realizamos pesquisas voltadas para o desenvolvimento de tecnologias que possam ser utilizadas na promoção do bem estar, saúde e educação cerebral.
Nos links abaixo é possível ter mais informações sobre biofeedback:
http://www.educacaocerebral.com/biofeedback/
http://www.educacaocerebral.com/monitorvfc/
http://www.cerebromente.org.br/n04/tecnologia/biofeed.htm
E um vídeo sobre o trabalho realizado por uma psicoterapeuta em bostom. Esse é em inglês, quem sabe num futuro breve produzimos um em portugues?!
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=A_Xh8vv1Dds]

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Equilíbrio corpo e mente

“Enquanto fizermos as mesmas coisas, continuaremos obtendo os mesmos resultados”.

(autor desconhecido)

Hoje em dia já virou até jargão falar sobre o equilíbrio entre o corpo e a mente. Mas no dia a dia, algumas pessoas comentam que isso só é possível para os zen budistas que ficam meditando o dia todo. Na sociedade de hoje parece bem difícil manter a tranqüilidade e bem estar que a frase “equilíbrio corpo e mente” parece sugerir.
Quem tem essa opinião, tem seus motivos para tal: o estresse cotidiano, as cobranças pessoais, a necessidade de estar bem capacitado e atualizado, a busca por um bom emprego ou a manutenção do existente, tudo isso gera pressões e preocupações, afetando nosso bem estar, nosso humor e nossa paz.
No organismo humano existem dois sistemas autonômicos que regulam nossas funções vitais: um está relacionado ao estado de alerta e atenção (sistema simpático), e outro ao de repouso e digestão (sistema parassimpático). O primeiro passo para atingirmos o equilíbrio entre o corpo e a mente, e aliviarmos a tensão cotidiana, é restaurar o equilíbrio entre esses sistemas.
A ação do sistema de repouso e digestão deve ser predominante durante a maior parte do tempo. O sistema de alerta deveria ser acionado apenas quando algo requer nossa energia e atenção, sejam em situações de perigo ou de atenção concentrada. Porém, o que mais se observa hoje, é a ativação constante do sistema de alerta ou a não predominância do sistema de relaxamento. Quando isso acontece ficamos, no mínimo, estressado. Outros sintomas são: insônia – dificuldade para iniciar o sono, ou dormir rápido, mas acordar várias vezes durante a noite, dificuldade para acordar pela manhã ou não ter um sono restaurador – ansiedade, angustia, pensamento constante sobre tarefas a cumprir, coração e respiração acelerados, dentre outras.
Seguem então algumas dicas para melhorar seu balanço autonômico:
– Procure estabelecer horários para dormir;
– Tente dormir 8 horas por noite;
– Evite trabalhar em casa ou estabeleça um horário para finalizar suas atividades
– Evite tomar café ou bebidas estimulantes após as 18hs da noite;
– Beba água e coma frutas, verduras e grãos;
– Mexa seu corpo: Exercícios moderados, como caminhada, por 30 min, 3x por semana, além de contribuir para restauração do balanço autonômico, minimiza a chances de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e demências, como Alzheimer;
– Reserve 20min por dia para relaxar, pode ser antes de dormir. Nesse momento, tente aliviar a mente de pensamentos e preste atenção na sua respiração. Respire lentamente e expire o maior tempo que você conseguir. Tente expirar pelo dobro de tempo que você usou para inspirar;
– Sorria e sinta-se feliz. Esse é o maior segredo para encontrar o equilíbrio entre o corpo e a mente.
No próximo post, vou falar como técnicas de biofeedback e neurofeedback podem ajudar a alcançar esse equilíbrio.

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TCC?

TCC?
Nãããão, dessa vez não estou me referindo a nenhum trabalho de conclusão de curso. Estou me referindo à Terapia Cognitivo Comportamental, abordagem que eu escolhi para trabalhar e me aprofundar, dentre tantas outras que eu conheci.
Freqüentemente, pessoas me questionam sobre qual a diferença entre a TCC e outras abordagens “já que tudo é psicologia”. E, quando percebo, estou eu explicando o ponto de vista que guia essa abordagem. Então, resolvi criar esse blog, não para mostrar diferenças, mas para destacar as qualidades da TCC, e das técnicas que utilizo. Quem sabe pode ser legal para você?
A TCC é considerada uma terapia com bases empíricas e objetivas, em que metas e ações são traçadas para a modificação de comportamentos desadaptativos. Esses comportamentos são aqueles que atrapalham o nosso dia a dia, e que podem nos dar a sensação de que somos diferentes das outras pessoas. A TCC considera que o pensamento e a cognição humana influenciam a nossa forma de ver o mundo, de sentir e de reagir nos contextos sociais. Muitas vezes esses pensamentos disfuncionais, ou crenças, não estão claros à nossa consciência, mas não quer dizer que eles não influenciam nossa forma de se relacionar com o mundo.
Outro fator importante é a influência dos pensamentos e cognição no nosso corpo. Na verdade, aqui se estabelece uma via de mão dupla, onde nossas reações fisiológicas influenciam nossa forma de perceber e significar o mundo, do mesmo modo que o que pensamos influencia nossas reações fisiológicas.
Compliquei? Então vai um exemplo simples: quem nunca sentiu um frio na barriga, ou o coração acelerado e pensou que está tento um pressentimento? Uma reação fisiológica, do seu corpo, fez com que você criasse uma linha de pensamentos buscando associação entre essa reação (que passou a ser uma sensação) e alguns acontecimentos passados ou presentes. Então ficamos em alerta, procurando identificar coisas que possam nos prejudicar. Ficar em estado de alerta 24hs por dia é cansativo… Nossa, quem se sente assim precisa se dar o direito a relaxar, de aliviar a tensão, e existem diferentes técnicas para isso.
Agora, vamos pensar ao contrário: como nosso pensamento atua nas nossas reações fisiológicas. Quando ficamos pensando em uma coisa muito difícil que temos que enfrentar, e que não vemos saída, iniciamos um processo de preparação. Ficamos prontos para reagir, seja para enfrentar ou para tentar fugir da situação. Nosso coração fica mais acelerado, podemos até suar nas mãos e na testa e sentir partes do nosso corpo maisfrias (o conhecido suor frio). Às vezes os músculos doem e parece que nosso corpo está todo tenso. Essa sensação constante pode causar muito mal estar… E ficamos novamente em estado de alerta!!!
E quando o que acontece é o contrário? Nada nos anima, não temos vontade de reagir, nem nos preparamos para enfrentar o mundo… afinal, ele pode ser muito sem graça para quem não consegue se sentir motivado, para quem está sempre esperando um resultado negativo, para quem acha que não consegue ser feliz… Mas vou deixar esse tema para outro dia. Quem sabe você me ajuda sugerindo alguns assuntos?
Hoje vou finalizar com uma frase de Beck e Kuyken (2003) que combina bem como que foi falado até agora e que nos dá uma idéia do ponto de vista dos terapeutas cognitivos comportamentais: “As crenças que temos sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre o futuro, determinam o modo como nos sentimos: o que e como as pessoas pensam afeta profundamente o seu bem-estar emocional”.