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Neurofeedback e Biofeedback – Fundamentos e Prática Clínica

http://educareinstitute.com.br/ver/curso/neurofeedback-e-biofeedback-fundamentos-e-pratica-clinica-presencial-em-sao-paulo-11-de-junho/

Caros colegas,
Em função de  questões e emails que eu venho recebendo, decidimos modificar o curso “Biofeedback na Prática Clínica” para “Neurofeedback e Biofeedback – Fundamentos e Prática Clínica” de modo a abranger questões pertinentes ao uso da técnica de neurofeedback.

O biofeedback e o neurofeedback são técnicas de autorregulação psicofisiológica, que contribuem para a ampliação do estado de consciência acerca de si mesmo, facilitando a integração corpo-mente. Ambas as técnicas utilizam sensores e softwares para o monitoramento fisiológico e, através do mecanismo de retroalimentação por condicionamento operante, o paciente é capaz de aprender a autorregular diminuindo respostas disfuncionais como, por exemplo, as respostas de palpitação cardíaca, sudorese na palma das mãos ou pensamentos invasivos, tão comuns em pacientes com transtornos de ansiedade.
Nesse curso introdutório, você terá uma visão geral de ambas as técnicas de treinamento e de suas aplicações. Você aprenderá acerca dos tipos de avaliação utilizadas para o neurofeedback (introdução) e também como fazer uma avaliação acercado equilíbrio do sistema nervoso autonômico, utilizando dados da variabilidade da frequência cardíaca (atividade prática)
Ao concluir esse curso você será capaz de identificar, no seu paciente, sintomas que estejam relacionados ao desbalanço entre os sistemas simpático e parassimpático, além de conhecer ferramentas que poderão ser usadas para o manejo do paciente. Será realizada demonstração de equipamentos e orientações sobre como utilizá-los no contexto clínico.
Clique aqui para saber mais!

Carga horária: 8hs

Ementa:

  • Biofeedback
    • O que é?
    • Biofeedback X Neurofeedback
    • Modalidades?
  • O cérebro e o sistema nervoso autonômico
    • Reações fisiológicas e estados psico-emocionais: uma via de mão dupla
    • Introdução ao funcionamento do cérebro e as áreas de Brodmann
    • Conceitos EEG e ritmos corticais
  • Avaliação
    • QEEG X avaliação de baixo custo: vantagens e desvantagens
    • Avaliando o equilíbrio autonômico através da variabilidade da frequências cardíaca (HRV)
  • Aplicações e Parte prática
    • Estudo de caso
    • Demonstração

Inscrições pelo site da Educare Institute.

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Biofeedback na Prática Clínica – Agosto de 2014

Você sabia que o biofeedback é uma ferramenta eficaz para auxiliar no tratamento de diversos transtornos psicológicos e somáticos?
Aprenda um pouco mais sobre a técnica no próximo curso “Biofeedback na Prática Clínica”, que acontecerá em Jundiaí – SP no dia 30/08/2014

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cardioEmotion e biofeedback cardiovascular

cardioEmotion

O Cardioemotion é um software brasileiro para treinamento de biofeedback cardiovascular.
Com o código 20123 você ganha 1h de supervisão comigo sobre como
utilizar o sistema para seu treinamento de coerência cardiovascular.
O biofeedback cardiovascular é uma técnica de retro-alimentação biológica que apresenta benefícios comprovados na regulação dos sistemas de equilíbrio do corpo, através de informações vindas do batimento cardíaco. Em 2010 eu postei aqui algumas informações sobre o biofeedback cardiovascular ou de variabilidade da frequência cardiaca (ou ainda chamado de doerência cardíaca). Você podem ler em:http://julyneuro.wordpress.com/2010/06/18/variabilidade-da-frequencia-cardiaca-e-biofeedback/
Vou comentar rapidamente o princípio do biofeedback cardiovascular: um sensor capta o batimento cardíaco e capta o intervalo entre cada batimento, chamado de intervalo R-R. A variabilidade é extraída (matematicamente) a partir de medidas desses intervalos. Essa informação é disponibilizada na tela praticamente em tempo real (o delay ou tempo entre o seu batimento e a apresentação do estímulo na tela) tem que ser mínimo, pois caso contrário o feedback não tem efeito). Ao visualizar essas resposta é possível aprender a modulá-la, ou melhor, a pessoa aprende a interagir com o estímulo da tela a partir de sua resposta fisiológica.
O treinamento com biofeedback cardiovascular é relativamente fácil e sofre grande influência do nosso padrão de respiração. Por isso o Cardioemotion tem mecanismo para ajudar a dar ritmo à respiração. Assim, respirando no ritmo adequado, é possível entrar mais rápido em coerência. A respiração deve ser feita durante o treinamento e não é precisando continuar respirando no mesmo ritmo durante o restante do dia para manter os benefícios: com o tempo o corpo aprende a se auto-regular sozinho!
Vejam abaixo a tela inicial do Cardioemotio:

Tela inicial do software para biofeedback cardiovascular Cardioemotion
Em momentos de relaxamento e prazer o nosso coração deveria ter um ritmo mais baixos (menor frequência cardíaca em repouso) e em momentos de reação, de intensidade ou de estresse esse ritmo deveria aumentar, pois todo corpo se mobiliza.  Na prática, um coração com baixa variabilidade está respondendo mais ou menos do mesmo modo nas diversas situações do dia a dia, seja no repouso ou na reação, ou seja, o corpo está mantendo o padrão de estresse e gastando energia mesmo quando ele poderia (e deveria) estar mais relaxado. Esse padrão fisiológico é geralmente acompanhado de pensamentos que “invadem” a nossa mente o tempo inteiro, esgotamento físico, desânimo, podendo  contribuir para manutenção de quadros mais preocupantes, em termos de saúde física e mental.
A variabilidade da frequência cardíaca está relacionada à boa adaptação do indivíduo ao ambiente e diversos artigos demonstram melhora cognitivas e emocionais em pessoas que treinam coerência cardiovascular por 20 min, 3x por semana (entre 10 e 20 sessões de treinamento).
O Cardioemotion foi desenvolvido pela empresa Neuropsicotronics http://www.cardioemotion.com.br e estamos desenvolvendo alguns trabalhos em parceria. Assim, ao adquirir o sistema, se você digitar o código 20123 você ganha 1h de supervisão sobre o uso do sistema comigo.
Para maiores informações, pode entrar em contato por email: julyneurop@gmail.com
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Biofeedback Cardiovascular: software para integração corpo-mente

O resumo a seguir foi premiado como melhor resumo extendido no congresso COMPUTER ON THE BEACH, realizado entre 29 de abril de 2011 e 01 de maio. Nesse post apresento o resumo premiado. Vocês podem obter mais informções sobre o software no site www.educacaocerebral.com. Parabéns prof. Dr. Emílio Takase, do Laboratório de Educação Cerebral (LEC) do Departamento de Psicologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Florianópolis – SC, ao Mestrando Diego Schmaedech, do 2Laboratório de Computação Aplicada (LaCA) – Departamento de Eletrônica e Computação – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Santa Maria – RS e à toda a equipe do laboratório pelos projetos desenvolvidos!
Você pode visitar o site do congresso pelo endereço: http://www.computeronthebeach.com.br/2011/

Biofeedback Cardiovascular: software para integração

corpo-mente

Ma. July Silveira Gomes1, Diego Schmaedech2, Prof. Dr. Emílio Takase1

1Laboratório de Educação Cerebral (LEC) – Departamento de Psicologia – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Florianópolis – SC – Brasil

2Laboratório de Computação Aplicada (LaCA) – Departamento de Eletrônica e Computação – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Santa Maria – RS – Brasil

july@sina-psi.com, schmaedech@gmail.com, takase@cfh.ufsc.br

Abstract: This paper introduces a Brazilian cardiovascular biofeedback platform, developed from a cardiac monitoring device (transmitter chest strap) available on the market. The software platform is free and aims to support the development of interactive systems in the mentioned technique.
1. Resumo Expandido
O biofeedback é uma técnica não invasiva da medicina comportamental de integração mente e corpo que utiliza instrumentos eletrônicos para auxiliar os indivíduos no desenvolvimento de consciência e controle sobre processos psicofisiológicos [Carolyn Yucha 2004]. O presente trabalho visa apresentar o desenvolvimento de um sistema de biofeedback cardiovascular que utiliza dados da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) para o processo de retroalimentação biológica. A VFC tem sido apontada como um fidedigno indicador de saúde e adaptabilidade do organismo ao meio [Lehrer et al. 2006], sendo que sua diminuição está ligada ao aumento do risco de morte em pacientes que sofrem de doenças cardíacas e coronárias [European Society of Cardiology et al. 1996]. A VFC também se mostra reduzida em pacientes com transtornos psiquiátricos. Assim, pesquisadores têm investigado formas de aumentar a VFC através do treinamento cognitivo e respiratório, conhecido como biofeedback cardiovascular [Nolan et al. 2008].
O Laboratório de Educação Cerebral (LEC), percebendo a inexistência de softwares de biofeedback brasileiros, tem investido no desenvolvimento de uma plataforma para criação de sistemas de biofeedback cardiovascular de baixo custo que funciona a partir da integração de dispositivos já consolidados no mercado. Esta abordagem é comumente referida como COTS (Commercial Off-the-Shelf) termo designado para definir uma tecnologia que já está pronta e disponível para venda. Atualmente a plataforma suporta os dispositivos de monitoramento cardíaco (cinta transmissora) da marca Polar, representados no Brasil pela empresa Proximus [Proximus Tecnologia 2011].
O objetivo desse trabalho é apresentar este sistema inovador, cuja plataforma está sendo desenvolvida sob licenças de software livre e visa fornecer as bases para a criação deste tipo de sistema. Atualmente o software construído para demonstração da plataforma é capaz de exibir em modo gráfico e em tempo de execução as principais variáveis estudadas por pesquisadores em VFC e treinadas através da técnica de biofeedback cardiovascular, dentre as quais: 1) domínio do tempo: batimento cardíaco, média do batimento cardíaco, SDNN, RMSSD; 2) domínio da freqüência: HF, LH, VLF; 3) análise não-linear: SD1, D2, dentre outras. Outras características são: interfaces amigáveis de cadastro de clientes que persiste em uma base de dados embarcada, exportação e importação dos dados em ASCII e a modularização de games e animações que utilizam os valores das variáveis como input. Um exemplo desse módulo é o game Tetris que varia a velocidade de descida da peça em função de alguma variável do domínio do tempo ou domínio da freqüência ou não-linear selecionada pelo usuário.
Este sistema está sendo utilizado de modo experimental em atendimentos clínicos com biofeedback VFC e mostra-se efetivo quanto aos princípios básicos de retroalimentação, pré-requisito para o treino de auto-regulação do Sistema Nervoso Autônomo (Simpático e Parassimpático). No corrente ano, esse sistema será utilizado em caráter experimental em uma escola federal de SC no treinamento de auto-regulação de crianças com dificuldades de aprendizagem.

Referências
Carolyn Yucha, D. M. (2004). Evidence based practice in biofeedback and neurofeedback. Association for Applied Psychophysiology and Biofeedback.
Lehrer, P., Vaschillo, E., Lu, S.-E., Eckberg, D., Vaschillo, B., Scardella, A., and Habib, R. (2006). Heart rate variability biofeedback: effects of age on heart rate variability, baroreflex gain, and asthma. Chest, 129(2):278–284.
Nolan, R. P., Jong, P., Barry-Bianchi, S. M., Tanaka, T. H., and Floras, J. S. (2008). Effects of drug, biobehavioral and exercise therapies on heart rate variability in coronary artery disease: a systematic review. Eur J Cardiovasc Prev Rehabil, 15(4):386–396.
European Society of Cardiology, the North American Society of Pacing, and Electrophysiology (1996). Heart rate variability. standards of measurement, physiological interpretation, and clinical use. Task Force of the European Society of Cardiology and the North American Society of Pacing and Electrophysiology. Eur Heart J, 17(3):354–381.
Proximus Tecnologia. (2011). http://www.proximus.com.br/. Acessado em 15 out. 2010.

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Regulando meu humor através da respiração

Preparei esse breve texto para entregar aos clientes que atendo, como forma de ajudar no processo de treinamento em biofeedback cardiovascular. Espero que seja interessante para vocês também!
Como o meu coração e minha respiração podem me ajudar a regular meu humor?
Os sistemas autonômicos simpático e parassimpático são os responsáveis por regular nossas funções vitais. No dia a dia, em decorrência de diferentes atividades e do ciclo circadiano, nosso organismo regula-se para se adaptar às diferentes situações. Essa regulação se chama homesostase corpórea.
A freqüência cardíaca varia naturalmente de acordo com a respiração (RSA – arritmia sinusal respiratória), com nossas atividades e estados de ativação. No dia a dia, em situações de repouso, há predomínio da ação parassimpática sobre o coração. Sempre que necessário, a ativação simpática desencadeia respostas fisiológicas de reação, que provocam aceleração do batimento cardíaco e aumento da freqüência cardíaca. Essa ação vem ao encontro do princípio de luta ou fuga, mobilizado pelo sistema simpático, sempre que precisamos reagir. A ativação simpática também influencia o sistema endócrino, que afeta o sistema cardiovascular. Permanecer no estado de ativação simpática, sobrecarrega nosso organismo.
Em relação aos transtornos de ansiedade, Kawachi e colegas (1995) investigaram os sintomas de ansiedade em 581 homens saudáveis, através da análise do poder espectral da variabilidade da freqüência cardíaca. Os homens que relatavam mais sintomas de ansiedade fóbica apresentaram, em repouso, frequencia cardíaca mais alta e menor variabilidade da freqüência cardíaca. Conclui-se que a ansiedade está associada a hiperatividade simpática. Em uma pesquisa realizada por Virtanen e colegas (2003), com 71 homens e 79 mulheres de meia-idade, constatou-se que a ansiedade e a hostilidade estão relacionadas à redução da atividade parassimpática e aumento do predomínio simpático.
Treinamento com biofeedback cardiovascular: o principal objetivo é aumentar a variabilidade da freqüência cardíaca, ou seja, a capacidade de modulação cardiovascular em reação a diferentes situações. De modo geral, o aumento da variabilidade da frequencia cardíaca reduz a ativação simpática, causada por estresse e ansiedade excessivas, e aumenta a ativação parassimpática. Além de monitorarem-se as variáveis da freqüência cardíaca, é possível associar a essa técnica de biofeedback o monitoramento da respiração, usando a arritmia sinusal respiratória (RSA) como uma forma de potencializar o efeito do biofeedback cardiovascular. A RSA é uma variação que ocorre no ritmo do coração em função da respiração, aumentando a freqüência cardíaca na inspiração e reduzindo-a na expiração. Ou seja, quando expiramos, diminuímos a freqüência cardíaca e aumentamos a influencia parassimpática no organismo.
O que fazer e como fazer: o alvo do RSA biofeedback é focar a atenção na expiração, buscando um estado de relaxamento. O pulmão é um órgão oco, em que o ar entra e sai, em função da compressão e expansão diafragmática. Desse modo, o diafragma se expande, proporcionando a entrada de ar nos pulmões, e se contrai, impulsionando o ar para fora. Conforme o ar entra no organismo, há um leve movimento de expansão, que pode ser sentido quando apoiamos nossa mão em cima da barriga. Quando o ar sai, sentimos um leve movimento no sentido contrário (barriga para dentro). Quando estamos relaxados, esse movimento é leve e fluido; quando estamos agitados, a respiração fica curta e o movimento com menor amplitude.
O processo consiste em tentar expirar (colocar o ar para fora) durante o dobro de tempo da inspiração. A taxa 6:3 (expirar contanto até 6 e inspirar contando até 3)  parece ser uma faixa agradável para a maioria das pessoas. Mas o ideal é que cada um consiga perceber qual a sua própria faixa.
Treine 1x por dia; no início, faça quanto tempo conseguir, e tente prolongar o período de treino por até 20 minutos. Lembrando que no início pode ser meio desconfortável, e que a tendência é “inflar” ao máximo, quando inspiramos. Mas não force muito. Tente fazer ao contrário… Tente esvaziar bastante, e depois apenas deixe o ar entrar o quanto for necessário.
Cuidado para não hiperventilar, e não forçar demais.
Som ambiente sempre ajuda.
Bom treino.

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Variabilidade da Frequencia Cardíaca e Biofeedback

SENTIMENTO é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado… (autor desconhecido).

O coração tem uma linguagem própria. Apesar de a neurociência já ter demonstrado que o cérebro é o responsável pelo processamento das informações afetivas e dos sentimentos, é fato que o ritmo do nosso coração reflete nosso estado afetivo. Não é sem razão o comentário popular de que aqueles que sofrem por amor estão com o coração apertado, não é?
São inúmeras as investigações científicas acerca do funcionamento cardíaco e sua relação com estados de humor e estados psicológicos (veja a lista de referências no final desse post). A análise dos intervalos entre os batimentos cardíacos, conhecida como variabilidade da freqüência cardíaca, permite extrair diferentes informações sobre o balanço autonômico, ou seja, o equilíbrio entre nossos sistemas de ativação (sistema nervoso simpático, conhecido como sistema de luta ou fuga) e de repouso (sistema parassimpático, conhecido como sistema de repouso e digestão). No dia a dia, em situações de repouso, há predomínio da ação parassimpática sobre o coração. Sempre que necessário, a ativação simpática desencadeia respostas fisiológicas de reação, que provocam aceleração do batimento cardíaco.
A literatura aponta que a VFC é um bom indicador do funcionamento autonômico e um importante preditor do risco de morte para pessoas que sofrem de doenças cardíacas e coronárias (Task Force 1996; Stein and Kleiger 1999; Sved 1999). Além disso, exisite certa relação entre algumas dessas variáveis e transtornos psiquiátricos (Cohen, Matar et al. 1999; Cohen, Benjamin et al. 2000; Kemp, Malhotra et al. 2003; Henry, Minassian et al. 2009; Kemp, Quintana et al. 2010). Veja abaixo o que os artigos científicos tem mostrado:
software variabilidade frequencia cardiaca
– Cohen e colaboradores (1999), em sua revisão, apontam que pessoas com esquizofrenia sob efeito de medicação, principalmente a clozapina, apresentam elevada freqüência cardíaca e baixa variabilidade da freqüência cardíaca. Acredita-se que, nesses pacientes, a diminuição da VFC esteja vinculada a uma resposta positiva às propriedades colinérgicas desse fármaco;
– Sowden e Hufman (2009) indica que, apesar de a diminuição da VFC ser considerada um fator de risco para doenças cardiovasculares, e em paciente esquizofrênicos estar associada à síndrome metabólica (ganho de peso, diabetes) – o que aumenta os fatores de risco para doenças do coração como infarto do miocárdio – as taxas de mortalidade em pacientes sem tratamento é maior do que para aqueles tratados com essa droga;
– Na pesquisa de Henry e colaboradores (2009) os pacientes internados com esquizofrenia e depressão bipolar apresentam disfunção no balanço entre os sistemas simpático e parassimpático, com indicadores de baixa VFC e reduzida atividade parassimpática (Henry, Minassian et al. 2009);
– A depressão tem sido associada à diminuição da VFC (Kemp, Quintana et al. 2010). Sowden (2009) acrescenta que os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina são os mais indicados para pacientes depressivos com problemas cardiovasculares. Nesse caso, verificam-se indicadores de melhoras no prognóstico de infarto do miocárdio e outros eventos cardíacos.
– De um modo geral, quanto mais severos os sintomas, menor a VFC e, conseqüentemente, maiores os riscos de doenças ou episódios cardiovasculares agudos (Henry, Minassian et al. 2009; Kemp, Quintana et al. 2010).
– Em relação aos transtornos de ansiedade, a baixa VFC tem sido relacionada à hiper-ativação simpática. Esse padrão de hiper-ativação também é encontrado em pessoas com distúrbio de pânico e transtorno de estresse pós-traumático, em repouso.
Como biofeedback cardiovascular pode ajudar a melhorar os sintomas e o meu estado psicológico?
As técnicas de biofeedback são técnicas de treinamento. No caso do biofeedback cardiovascular ou VFC, sensores captam o batimento cardíaco e extraem certas variáveis (através de análises estatísticas). Através de um computador, esses sinais são mostrados de alguma forma para o usuário: sob a forma de gráficos ou associado à mídias (nesse caso a mídia funciona como um estímulo condicionado).
O processo de auto-regulação evolui de diferentes formas para cada pessoa. De um modo geral, inicialmente a pessoa trabalha para perceber suas sensações, e observa as alterações nos gráficos em função do seu estado de ativação ou relaxamento. Essa associação vai ser fortalecendo, nem sempre de modo consciente, e o usuário aprende a modular essas variáveis. O principal objetivo é aumentar a VFC. Aumentando a VFC, melhora-se o balanço autonômico, refletindo em melhoras na qualidade de vida.

Biofeedback é um método indolor, não medicamentoso, indicado para:

– distúrbios do sono;

– distúrbios de ansiedade;

– síndrome do pânico;

– depressão;

– fobias;

– asma;

– transtornos de atenção;

– problemas cardiovasculares;

– dor crônica;

– fibromialgia;

– distúrbios que afetam sistema autonômico de modo geral;

Referências:
Cohen, H., J. Benjamin, et al. (2000). “Autonomic dysregulation in panic disorder and in post-traumatic stress disorder: application of power spectrum analysis of heart rate variability at rest and in response to recollection of trauma or panic attacks.” Psychiatry Res 96(1): 1-13.
Cohen, H., M. A. Matar, et al. (1999). “Power spectral analysis of heart rate variability in psychiatry.” Psychother Psychosom 68(2): 59-66.
Henry, B. L., A. Minassian, et al. (2009). “Heart rate variability in bipolar mania and schizophrenia.” J Psychiatr Res 44(3): 168-76.
Kemp, A. H., D. S. Quintana, et al. (2010). “Impact of depression and antidepressant treatment on heart rate variability: a review and meta-analysis.” Biol Psychiatry 67(11): 1067-74.
Kemp, D. E., S. Malhotra, et al. (2003). “Heart disease and depression: don’t ignore the relationship.” Cleve Clin J Med 70(9): 745-6, 749-50, 752-4 passim.
Stein, P. K. and R. E. Kleiger (1999). “Insights from the study of heart rate variability.” Annu Rev Med 50: 249-61.
Sved, A. F. (1999). Cardiovascular System. Fundamental Neuroscience. M. J. Zigmond. San Diego, Academic Press: 1051-1061.
Task Force (1996). “Heart rate variability. Standards of measurement, physiological interpretation, and clinical use. Task Force of the European Society of Cardiology and the North American Society of Pacing and Electrophysiology.” Eur Heart J 17(3): 354-81.